Como se fabrica uma pulseira de relógio de couro?

Como já não há segredos, quero ensinar-lhes como se fabrica uma pulseira de relógio de couro e como a fabricamos na Diloy. Ainda que, para ser sincero, vá saltar alguns detalhes que os meus chefes de produção não me permitem desvendar. No entanto, são detalhes que não afetam a elaboração em si mesma da pulseira, mas sim a produtividade. Já sabe que pode ver aqui toda a nossa coleção de pulseiras para relógio fabricadas em couro.

Tipos de pulseira para relógio de couro

De acordo com o seu processo de fabrico, podemos encontrar três grandes grupos. Ordenei-os de acordo com o grau de dificuldade e de conhecimento requerido:

  1. Ao corte
  2. Canto voltado.
  3. Canto semi-voltado.

Cada um destes tipos requer diferentes competências, tecnologias e conhecimentos. No final, estes conhecimentos são o maior limitador e o que obriga alguns fabricantes a só poder fornecer um tipo muito específico de pulseiras de couro.

Vamos ver um pouco de cada um destes tipos e o que os faz diferentes.

Pulseiras de couro fabricadas ao corte

Esta é a forma mais simples de fazer uma pulseira de relógio e qualquer um pode fazê-la. Vai entendê-lo mais à frente. De que precisamos?

  • Um pedaço de couro.
  • Uma régua.
  • Um cortador
  • Cola de contacto.
  • Alguém hábil, mas, como verá, não precisa de ter anos de experiência.

Deixo-lhe abaixo um vídeo que ilustra perfeitamente este tipo de fabrico. Com pequenas variações, é como se fabricam as pulseiras que se costumam chamar “artesanais” e creio que é bastante fácil que entenda por que motivo a qualidade de acabamento não costuma ser demasiado boa. Tenho de dizer que há artesãos maravilhosos que fazem peças que são autênticas obras de arte, mas concordará comigo em que são uma minoria.

Se sairmos do artesanato propriamente dito e formos à produção industrial de pulseiras de algumas empresas de Madrid ou da zona de Alicante, o trabalho é mais ou menos o mesmo, com pequenas diferenças:

  1. Usam-se prensas e cortadores de tiras para cortar o couro com a forma da pulseira, abrir os furos onde se encaixa a fivela ou o buraco da língua da pulseira.
  2. Usam-se redutores para reduzir a espessura da pulseira.
  3. Usam-se máquinas de costura.

Onde costuma estar o problema deste tipo de pulseiras?

Em primeiro lugar, no facto de os cortadores de tiras se danificarem e ser necessário mudá-los frequentemente, o que não é feito. Se tem uma dessas pulseiras a que se costuma chamar “nacionais” (como se os outros fôssemos extraterrestres), convido-o a passar o dedo pelo canto da pulseira e verá que é tudo menos suave.

O segundo grande problema é que se utilizam colas concebidas para o calçado, e uma pulseira para relógio não é um sapato. As superfícies a colar são muito menores, as espessuras não são as mesmas, tampouco o são as tensões a que se submetem, etc. No final, descolam-se. E, naturalmente, uma cola pensada para fixar o sapato à sola, não tem porque ter em conta as possíveis alergias que pode causar, uma vez que não vai estar em contacto com a pele. Daí vem grande parte das alergias e incómodos que muitos clientes nos reportam quando usam uma dessas pulseiras incorretamente chamadas “nacionais”.

Ao pintar o canto da pulseira, utiliza-se uma tinta qualquer. Já vi até tinta plástica tipo Titanlux, líquido de limpeza de sapatos tipo Kanfor, etc.

Os furos para os pinos estão fechados, muitas vezes, com cola.

Obviamente, é uma forma de produção muito económica. Para fazer uma pulseira, uma fábrica faz normalmente entre 12 e 18 passos.

Vamos vê-lo neste vídeo

Fábrica Diloy, pulseiras ao corte?

A resposta é sim, fabricamos algumas pulseiras ao corte. Concretamente, a nossa gama Vintage é fabricada seguindo esta técnica, e fazemo-lo para ser fiéis à forma como se fabricavam pulseiras nos anos 50, 60 e 70. Mas introduzimos muitas melhorias:

  • Utilizamos colas especialmente desenvolvidas para a indústria das pulseiras de relógio, amigas do ambiente e da pele do utilizador. Colas que cumprem com todos os padrões das regulamentações europeias e norte-americanas para elementos que estarão em contacto com a pele.
  • Preocupamo-nos em manter os nossos cortadores sempre bem afiados. Nem que mais não seja porque quanto mais limpo for o corte, menos trabalho posterior temos que fazer. É uma simples questão de custos porque esses detalhes preocupam-nos. Certamente que, na sua loja, terá alguma pulseira ao corte nossa e alguma da concorrência. Examine as bordas da pulseira, passe o dedo por elas, qual lhe parece que está mais bem acabada?
  • Para conseguir esse acabamento, lixamos todos os cantos até ter uma superfície uniforme. É um passo lento, que tem de ser feito à mão pulseira a pulseira, mas no final vê-se a diferença.
  • Usamos tintas especiais para pintar os cantos da pulseira. São tintas especialmente concebidas para o couro. Não pintura de plástico, como se costuma fazer.
  • Em vez de um revestimento, cada pulseira leva entre 5 e 7 revestimentos com os ciclos de secagem correspondentes.

Finalmente, enquanto a concorrência presume e justifica os seus altos custos porque realiza 18 passos diferentes, nós não fazemos uma pulseira ao corte com menos de 40 passos. Cada um desses passos acrescenta valor ao produto final e isso nota-se.

Além das pulseiras Vintage, temos alguns modelos desportivos que fabricamos ao corte.

Pulseiras de couro de canto voltado

Neste caso, a pele da parte superior da pulseira “abraça” o forro.

Como no caso da anterior, é um tipo de pulseira que quase qualquer um pode fazer, mas aqui já é necessário ter, pelo menos, um bom redutor e um pouco mais de habilidade porque, de outra forma, o resultado deixa muito a desejar.

Há uma grande vantagem face às pulseiras ao corte. Se está bem feita, o acabamento é mais elegante.

Quem emprega este tipo de técnica? Normalmente, fábricas que não dispõem da tecnologia do semi-voltado, seja pelo investimento que é necessário ou por falta de conhecimento. Também fábricas especializadas em fazer pulseiras para relógios de grandes marcas, nas quais os custos não são um problema e as produções são pequenas. São pequenas fábricas que contam com pessoal com uma amplíssima experiência.

Na Diloy, usamos este tipo de técnica há mais de 20 anos, mas aqui pode ver como se fabrica. O nosso processo atual é semelhante, mas difere no processo de orladura. Creio que este é um vídeo realmente interessante.

 

Pulseiras de couro de canto semi-voltado

Se, no caso anterior, o couro da pulseira “abraçava” o forro, no caso das pulseiras de canto semi-voltado, o couro superior reveste o bordo da pulseira e acaba exatamente no bordo do forro.

O que é necessário para fazer uma pulseira para relógio com canto semi-voltado?

Este tipo de fabrico já não está ao alcance de qualquer um, uma vez que implica dispor de conhecimentos técnicos, pessoal com uma altíssima qualificação e um investimento bastante considerável em tecnologia. Basicamente, precisamos de:

  • Couros adequados. Não podemos fazer uma pulseira com qualquer couro.
  • Colas especiais, porque haverá superfícies que colaremos com apenas um milímetro de largura.
  • Moldes, muitos moldes, muitíssimos: para cortar a parte superior, os interiores, o forro, marcar as linhas de costura, etc., etc., etc. Naturalmente que cada medida requer um conjunto de moldes diferente.
  • Uma divisora de peles de alta qualidade. Vamos reduzir a pele a 1,4mm de grossura e as partes que dobraremos para fazer o canto a 0,6mm. Mas têm de ser 0,6mm uniformes e isso não é qualquer divisora que faz.
  • As prensas de semi-voltado propriamente ditas, que representam a jóia da coroa e se encarregam de dobrar os cantos do couro e deixá-los perfeitos.

No total, a pulseira de canto semi-voltado mais simples que a Diloy fabrica leva um total de 52 passos. Acredita que alguém em 18 passos pode dar-lhe a mesma qualidade que nós em 52? Obviamente que não.

Neste vídeo, poderá ver algumas das máquinas que utilizamos. Não estão todas. Algumas foram desenhadas e desenvolvidas por nós mesmos. Outras foram completamente modificadas para as adaptar ao nosso fluxo de trabalho. Também poderá ver algumas das que utilizamos para fazer uma pulseira ao corte, como a polidora de bordos ou a máquina para pintar os cantos.

 

Agora já sabe tudo o que está por detrás de uma pulseira. Já só lhe falta fazer uma visita à nossa coleção de pulseiras de couro e equipar o seu relógio.

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